Tecnologia em diabetes: Uma grande aliada mas não é mágica!

Que a tecnologia veio para ficar em todos os setores da vida, ninguém duvida. Afinal, ela está por toda parte e revolucionou a forma que fazemos muitas coisas, inclusive, a forma de nos relacionarmos (com as mídias sociais e o whatsapp), de encontrarmos um par romântico, com os aplicativos de relacionamentos, a forma de nos locomovermos, como é o caso do Uber, entre outros, e até de nos hospedarmos, com o case airbnb que é a maior rede de hospedagem sem que tenham um único hotel ou quarto.

Agora a tecnologia está revolucionando mais fortemente a saúde das pessoas, trazendo soluções incríveis que nos proporcionam maior qualidade e expectativa de vida.

Ou seja, o mundo mudou, a vida mudou, e acompanhar essas mudanças não é questão de opção, é questão de sobrevivência e inteligência. Negar a tecnologia não é o caminho mas será que a tecnologia é a resposta para tudo? Então, onde a tecnologia encontra a vida real e está a serviço das pessoas?

Eu tenho diabetes tipo 1 desde 1993 e em 2005 eu decidi dar uma chance para a tecnologia entrar na minha vida e me ajudar com a minha saúde. Na época estava tendo grandes dificuldades em me cuidar e obter melhores resultados no gerenciamento do diabetes e num momento que eu chamo de “despertar”, eu senti que era hora de mudar.

Com isso, fui atrás de todos os recursos e pessoas que pudessem me ajudar no processo. Não economizei esforços. E entre outras coisas eu decidi colocar a bomba de insulina, a qual eu mesma fui atrás, pesquisei e levei a opção para minha médica.

Porém, quando decidi colocá-la, lembro que minha médica me disse: “Tudo bem se quer colocar a bomba, te apoio, mas saiba que o cérebro dela é você, ela não faz nada sozinha”

O que ela falou ficou comigo e com certeza me ajudou durante os primeiros meses que foram de grande adaptação. Isso não só por estar, a partir daquele momento, usando um  novo aparelho que iria requerer adaptação da terapia como chegar nos basais adequados  e acertar as doses, mas também pelas implicações emocionais e sociais de usar um aparelho que me acompanharia 24 horas por dia e 7 dias por semana, causaria.

Diante disso tudo, acredito que tenha levado pelo menos uns 6 meses para me adaptar e começar a ter melhores resultados, mas eu persisti pois como anteriormente meu controle não estava bom, eu não tinha razões para deixar de usar a bomba; o que foi algo positivo para mim pois talvez se tivesse desistido lá atrás não estaria usufruindo hoje de toda praticidade e qualidade de vida que o sistema de infusão me traz.

Após esses primeiros seis meses e o acompanhamento de um time multidisciplinar e o apoio de outras pessoas com diabetes (algo que foi fundamental para mim), eu consegui em um espaço pequeno de tempo baixar minha hemoglobina glicada de 9.3% para 7.7%. Quem tem diabetes sabe o que isso significa em termos de ganho de saúde e determinação. Assim, a sensação de vitória e satisfação foi algo indescritível.

Me senti mais empoderada e capaz para lidar com a minha condição e a tecnologia foi certamente uma parte importante no meu processo, mas como havia dito a minha médica lá atrás, a tecnologia não fez tudo sozinha, eu precisei aprender sobre o sistema, a ter disciplina para fazer as trocas de cateter no tempo certo, a observar meus gráficos, alterar o basal de acordo, entre outras coisas.

hemoglobina

Então você pode me perguntar se eu indico o uso da bomba para todos? Sim e Não! Sim porquê acredito sinceramente que a bomba é hoje o tratamento mais avançado e com melhores resultados para o diabetes tipo 1; mas talvez não ainda porquê você precisa estar preparado ou se preparar para usá-la.

O que quero dizer com isso? Eu explico…

Não foi a tecnologia que transformou meu controle. Eu me transformei, me conscientizei e a tecnologia foi uma aliada nesse processo. Uma importante aliada, é verdade, porém, é comum ver pessoas que colocam muita expectativa na tecnologia e sentem-se frustradas ao ver que o controle continua de mal a pior, então culpam a tecnologia pelas coisas não estarem dando certo.

Porém, tudo começa em você e o piloto do gerenciamento do diabetes é a pessoa que a tem. Nada vai jamais substituir sua capacidade de se conhecer, de gerenciar as ferramentas que são boas para você. Você é a protagonista da sua saúde, do seu tratamento, se sua vida.

Por isso não confunda as coisas, se você buscar uma fórmula mágica na tecnologia ela inevitavelmente vai te decepcionar, porém se buscar uma aliada, ela pode ser sua melhor amiga no processo.

A bomba e o sensor são tecnologias incríveis, mas requerem adaptação, aprendizado e gerenciamento emocional. Sobre isso vou falar no meu próximo post: “Diabetes, Tecnologias avançadas e Gerenciamento emocional” e porquê sem maior domínio das emoções você não conseguirá tirar maior proveito desse benefício, e pode até se desestimular e desistir.

Vou contar também um pouco mais da minha experiência com o novo sistema 640G da Medtronic, que é a mais avançada tecnologia disponível no mercado para o tratamento do diabetes tipo 1.

Minha mensagem final? Viva sua vida, busque o que há de melhor pois você merece. Se conheça, esteja disposta a buscar novos aprendizados sempre, e use a tecnologia para viver mais e melhor, porque sua vida é o que de mais precioso você tem e TUDO começa em você e com você!

 

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