Bem vinda ao Divabética!

Destacado

Fabiana_2014-39Sou Fabiana Couto, tenho diabetes tipo 1 desde os 13 anos de idade, e convivo com a condição há 24 anos.

Hoje tenho a alegria de compartilhar com vocês meu novo projeto em diabetes, o Divabética! Há quase 10 anos eu comecei meu envolvimento com a causa pela melhoria da qualidade de vida de pessoas com diabetes, algo que foi ganhando espaço em minha vida e meu coração.

Não é fácil trabalhar em prol de uma causa tão pessoal como o diabetes, que é algo presente em minha vida 24 horas por dia e 7 dias por semana, pois, trabalhar com essa causa me desafia nos meus limites e na minha capacidade de autoconhecimento e reinvenção, pois eu acredito muito na frase “eu ensino o que preciso aprender” e se estou nessa missão de levar consciência e aceitação às pessoas, eu sou a primeira que precisa viver essa verdade de corpo E alma!

Estes dez anos envolvida com projetos em diabetes me ensinaram muito sobre mim mesma, pois as pessoas que conheci nesse caminho muitas vezes foram espelhos que refletiram as minhas próprias dificuldades e também minha força em superar o dia a dia e a vida com diabetes.

A questão emocional, tão esquecida no processo do tratamento dessa condição, foi meu calcanhar de aquiles, que me levou a um processo interno de autodúvida, autoabandono e não aceitação. Isso dificultou muito minha vida e da minha família, e claro, o tratamento.

Nesses anos eu fiz muita coisa, trabalhei numa ONG com diabéticos tipo 1 e 2, promovi rodas de conversa e grupos para pais DM1, criei um blog para mães e atuei em alguns projetos com jovens. Mas ainda de forma muito tímida deixava minha voz sair para falar sobre a questão emocional que é na verdade o centro do que eu faço. Meu propósito é inspirar e empoderar pessoas, em especial jovens que sofrem com a pressão interna de atingir padrões muitas vezes inalcançáveis tanto no diabetes quanto na vida, que tem vergonha de ter diabetes, que não medem a glicemia em público ou não usam a bomba de insulina porquê não querem ser diferentes, jovens que comparam seu valor próprio contra “números” constantemente, seja o número no medidor de glicemia, seja o número na balança, ou qualquer número que as faça sentir fora dos padrões, ou que há algo de “errado” com elas. Talvez hoje só consiga falar sobre isso, pois olhei para dentro e me apropriei e honrei minha própria história.

Então é com essas meninas/jovens mulheres que eu quero falar e dizer que nenhum número ou rótulo as definem, pois suas essências e valor são imensuráveis. Para isso, criei o projeto Divabética, que é mais que um projeto, é um movimento que tem como objetivo reforçar a autoestima e autoconfiança e empoderar essas jovens a amarem-se, aceitarem-se e com isso cuidarem de suas saúdes de forma mais inteira!

Hoje eu faço essa escolha de falar com vocês e para vocês pois chegou a hora de deixarmos para trás qualquer bagagem pesada que carregamos até aqui para sermos mais leves, mais felizes, e honrarmos as DIVAS que existem dentro de cada uma de nós; vivendo assim as nossas vidas com diabetes sem deixar que o diabetes viva nossas vidas! Aguardo vocês na página, no blog e na vida por aí a fora 🙂

 

25 anos de diabetes e o momento que eu decidi parar de me sabotar

Nesse mês de Outubro completo 25 anos com o diabetes tipo 1, e mais da metade desses anos eu não aceitei a condição, não cuidei de mim da forma como deveria, deixei a condição em segundo plano, fui empurrando com a barriga, do jeito que dava, chutando a insulina, vivendo com os altos e baixos glicêmicos, e me sentindo vítima do impacto que essa condição (mal gerenciada) tinha em mim, meu humor, meu bem estar, que de “bem” estava longe pois muitas vezes vivia com um frequente mal estar da glicemia alta ou baixa demais, lidando com o mal estar emocional que eu sentia por não conseguir aceitar a condição e ter que lidar com as variações glicêmicas constantes que não só faziam mal ao meu organismo, mas a minha mente e meu emocional.

Ia vivendo assim, sentindo que não conseguia assumir as rédeas da minha vida e que mesmo querendo melhorar, não  sabia como dar o primeiro passo e inclusive subestimava o que seria o “próximo passo”, pois pensava eu que não seria UM ÚNICO passo que resolveria todos os meus problemas, o que não seria mesmo… mas queria como um passe de mágicas sair daquela situação que eu achava que a vida tinha me colocado, e que depois, com mais consciência e humildade eu enxerguei que fui eu mesma quem me coloquei ali.

A ânsia de dar passos largos, sair logo daquilo, fazer “tudo certo”, me mantinha num desequilíbrio ainda maior, pois como não conseguia fazer “tudo certo”, entrava num outro extremo de largar mão de tudo e me desmotivar achando que “nada, nunca” seria diferente e que se ainda continuava caindo nos comportamentos antigos, era melhor então por lá mesmo ficar.

De forma geral, eu não aceitava que a mudança seria um processo e que tudo na vida começa sempre com um primeiro passo. Um passo que no meu caso foi decisivo, mas que não nem de perto “mágico”.

Decidir cuidar de mim mesma e sair da sabotagem foi incrivelmente difícil porque a primeira parte, ou seja, olhar para as escolhas que havia (ou não) feito e que me levaram para aquele lugar que não gostaria de estar, demandava uma coisa que de forma geral é muito difícil mas também muito libertadora: A auto responsabilidade.

Me responsabilizar pelas escolhas feitas e não feitas, pela minha insistência em não aceitar o diabetes e continuar brigando com a vida, ao continuar me colocando como vítima das circunstâncias, e refém do que a vida escolheu para mim, ao invés de perceber que diante de tudo aquilo não adiantava fazer birra e reclamar e que o único poder que eu realmente tinha, e a parte que mais estava subestimando, era a minha decisão de como iria lidar com o diabetes, e que isso já era o bastante para mudar todo o curso da minha vida.

O que você precisa para tomar a sua decisão de dar um primeiro passo no sentido que você quer ir? O que falta para render-se e aceitar ajuda? Aceitar que a vida não vem com um cronograma o qual que segue exatamente o seu tempo e suas vontades, mas que você pode ser seu grande porto seguro uma vez que fizer as pazes consigo mesma e acreditar em sua própria capacidade.

Meu processo de mudança não foi e não é mágico, mas começou há 11 anos atrás, a partir de uma decisão que eu tomei, que foi provavelmente a mais importante decisão da minha vida. Num quarto de hotel durante uma convenção a trabalho, conheci uma moça que como eu no auge dos seus 27 anos vivia um momento de luto em sua vida. O luto por ter perdido uma amiga. A causa? Disse ela, Diabetes tipo 1 mal gerenciada. Hoje vejo que essa na verdade foi a consequência, pois pelo que ela me disse na ocasião a grande causa da morte precoce dessa moça foi a não aceitação da condição.

Nesse momento fui impactada e percebi que se continuasse escolhendo não aceitar, eu poderia, mas não importava o que escolhesse, o diabetes continuaria lá, e nesse momento percebi que se insistisse nessa escolha, ela poderia me custar muito caro, poderia custar minha vida.

E foi nesse momento resolvi me render e não mais lutar contra, mas fazer as pazes não só com o diabetes, mas principalmente comigo mesma.

Esse foi o primeiro passo, mas a partir daí uma série de coisas foram acontecendo, conheci pessoas, comecei um tratamento multidisciplinar, iniciei o uso da bomba de insulina, recrutei muito apoio, e me dispus a melhorar… a decisão veio assim de uma vez, mas a mudança aconteceu aos poucos. Tive muitas recaídas, errei, acertei, voltei a comportamentos sabotadores, me senti mal por isso e resolvi voltar.

Mas o mais importante havia acontecido… e esse fato nada poderia mudar. Eu pela primeira vez olhei para mim mesma e decidi que a vida poderia ser diferente, que tudo poderia melhorar, mas que não cabia mais ficar esperando que essa mudança viesse de fora e que o ponto de partida desse processo seria a minha vontade, a minha consciência, o meu respeito para comigo mesma, e para com a minha vida.

A estrada da aceitação e do amor próprio não é uma reta, é cheia de desvios, e não há atalhos, mas ela vale a pena, basta que você tome uma decisão e essa poderá ser a decisão mais importante da sua vida.

Te convido a fazer isso agora, feche os olhos, sinta (sem julgamento) quais tem sido suas escolhas, apenas sinta e constate. Se elas não te levam onde você quer chegar, apenas se permita MUDAR!

Se assim decidir, e se precisar de apoio para continuar (e acredite, você vai precisar), faça parte e acompanhe o blog e a página do facebook, participe também de cursos e eventos online e presenciais que estamos sempre organizando em benefício do seu BEM estar 🙂

Com carinho,

Fabiana Couto

Fundadora do Movimento Divabética

 

Conheça a história da Maria Emília que aos 16 anos e há 7 convivendo com o diabetes tem muito a nos ensinar!

Maria Diario de uma dm

Maria Emília, uma jovem alegre e cheia de atitude, atual dona do blog Diário de uma Diabética, foi diagnosticada aos 9 anos de idade e hoje aos 16 nos ensina sobre aceitação, a importância de buscarmos o time de saúde certo para as nossas necessidades e como todo esse apoio pode nos possibilitar sim uma vida mais doce e feliz.

Maria conta que antes de ter sido diagnosticada, fez um exame de rotina para acompanhar o seu crescimento, e entre os exames realizados, ela fez o de hemoglobina que na ocasião apareceu alterado, mas a médica não a diagnosticou com diabetes.

Um tempo depois, durante uma viagem, ela pegou uma virose muito forte o que a deixou de cama, e nesse momento, o diabetes começou a se manifestar mais fortemente, com os clássicos sintomas como: muita sede, frequentes idas ao banheiro e muita fome associada a perda de peso, o que a fez voltar à médica, que pediu para que eles refizessem os exames. Ao receber os resultados, a glicada estava em mais de 12%, o que confirmou o diagnóstico de diabetes tipo 1.

Nesse momento todos se sentiram perdidos e desamparados, e a postura da médica que os atendeu só piorou as coisas, pois além de dar o diagnóstico de forma ríspida, ela também impôs várias restrições, principalmente cortando totalmente o açúcar da sua vida, o que fez que ela comesse por muitas vezes escondido.

Maria conta que nessa fase ela tinha muita vergonha de falar para as pessoas que tinha diabetes, o que ela considera ter contribuído para um mau controle do diabetes. Ela diz que queria muito se tratar mas não conseguia, e apesar de fazer terapia, ela continuava nesse ciclo com muitas dificuldades emocionais e no tratamento.

Quando perguntamos a Maria sobre o que era o grande obstáculo para essa mudança tão desejada, ela diz que faltaram os profissionais certos, que tivessem empatia por ela e conseguissem mostrar que apesar de ser difícil a mudança, ela era possível e que ela não estava sozinha.

Em sua busca, Maria conheceu vários especialistas, mas até chegar ao médico que está hoje, o qual ela considera um anjo em sua vida, ela passou por situações que ela diz terem prejudicado muito o tratamento já que muitas vezes, quando ia buscar ajuda médica porque não estava conseguindo melhorar, ela sentia que existia um certo julgamento por parte da profissional, e dava a entender que as coisas não estavam indo bem por culpa dela. Ela diz “Tudo era culpa minha, e eu não conseguia me tratar por raiva dela, por raiva de mim mesma, por me sentir incapaz, o que não é verdade pois hoje sei que muitos fatores influenciam a glicemia como por exemplo o ciclo menstrual, uma doença, e por isso sei que preciso cuidar ainda mais do meu emocional e da saúde de forma geral”

Foi aí, com todo esse mau estar, que ela percebeu que havia algo de errado e falou com sua mãe que precisava mudar de médico. A mãe aceitou seu pedido e foi aí que ela conheceu seu médico atual, Dr. Rui Lira, que como ela diz, olhou para ela nos olhos e disse que o controle dela estava ruim, que a glicada estava muito alta, mas que eles iam melhorar, disse que seria difícil e seria um tratamento de formiguinha mas que ela não estava sozinha e que tudo daria certo.

Maria diz que nunca tinha ouvido algo assim antes de um médico, um simples “vai dar tudo certo” e foi essa atitude que de fato fez com que ela voltasse a acreditar no tratamento e em si mesma.

Nesse período de mudanças, Maria procurou também outra psicóloga, com quem está há um ano, e que também a ajudou muito a restabelecer o seu psicológico e a cuidar do emocional, o que ela afirma ter contribuiu muito para sua melhora geral.

A partir daí surgiu o blog, pois bateu a vontade de compartilhar sua experiência com mais pessoas, principalmente para incentivá-las a buscarem os profissionais certos, a se aceitarem mais, e a se motivarem com a possibilidade de uma vida melhor com o diabetes.

Maria finaliza dizendo: “Hoje eu me conheço, e sei quando a glicemia está descompensada por responsabilidade minha, por conta de hormônios, ou de doenças e isso tem sido muito bom”, e sobre a vergonha de ter diabetes “eu sempre tive muita vergonha sim, mas depois de encontrar esse time de saúde que tanto me apoia, eu aprendi a me aceitar, e pelo contrário, ao invés de ter vergonha, aprendi a disseminar informação de qualidade sobre a condição; uso a bomba e o sensor e por onde vou as pessoas param e me perguntam se eu tenho diabetes, e eu falo sobre o blog e explico com o maior carinho pois eu acredito que é isso que as pessoas estão precisando: informação”

“Hoje em dia estou completamente transformada, sou outra pessoa. Leio muito sobre diabetes, conheço pessoas que também tem e me entendem, e além de ajudar com o blog também sou muito ajudada, pois quando tenho recaídas, eu entro lá e leio as mensagens que as pessoas me mandam e isso me faz muito bem”

Maria é a autora do blog Diário de uma diabética e você pode encontrá-la também no Facebook e no instagram: @diariodeumadiabetica_

 

 

 

 

Conheça a história de aceitação da Carol “O problema da dor é que ela precisa ser sentida”

Carol_gravida

Oi! Eu sou a Caroline, tenho 25 anos, uma filha de 2 anos e provavelmente a minha história seja muito parecida com a sua. Mãe, esposa, professora e médica nas horas vagas (ou não). É, eu tenho diabetes, o que praticamente me garante um diploma em medicina não é?! Esse é o resumo da minha história.

D-I-A-B-E-T-E-S , você tem diabetes. Essa frase ecoou pelas paredes do consultório médico e minha unica reação foi fuga. Sim, em uma tentativa fula de fugir do diagnóstico, acabei por me ver saindo correndo pelos corredores da clinica, embalada na trilha sonora semelhante ao filme ” O grito “. No auge dos 11 anos, uma típica pré adolescente, tomada por mudanças, medos, angustias, hormônios. Somado a isso, o diagnóstico. Minha reação imediata foi gritar, chorar, espernear, como uma criança que pede pra mãe para não ir a escola e ouve um não, hoje você vai. Só que dessa vez, não seria apenas hoje. A escola da diabetes seria em período integral, sem recreio, férias ou hora da saída.

Assim, passada a euforia, me vendo frente a frente com uma realidade nova e não escolhida, decidi encarar. Não me lembro de chorar na primeira vez que tomei insulina, nem nas seguintes. Não me recordo de reclamar das pontas dos dedos furados, mas me lembro muito bem de destilar informações aos meus amigos sobre tudo que rodeava minha nova vida. Me apegando ao que sinto ser meu papel aqui na Terra, participei de encontros com outros jovens e até “palestrei” sobre Superação, garra e resiliência. Sim, eu era uma criança. Sempre falei pras outras crianças que apresentavam comportamento de revolta no projeto, que se iriamos conviver com isso pra sempre – pelo menos até então – que fosse de uma maneira amigável, lado a lado e não batendo de frente.

Isso perdurou por uns bons anos. Como no piloto automático, eu seguia repetindo como encarava tudo numa boa, como estava acostumada e que estava tudo ok. Até não estar. Ou melhor, até eu perceber que nunca esteve, até agora. 14 anos depois, aquela menina que fugiu, se viu encurralada de novo. Mas dessa vez ela decidiu não fugir. Me despi de rótulos e me vi pela primeira vez. Com medo, sim. Com dores, sim. Um processo nada fácil, mas aos poucos fui escancarando as feridas. Sabe aquela história de que alguns machucados não podemos cobrir, porque ” deixar coberto” piora a cicatrização? ta aí, é isso. Passei anos cobrindo, colando band-aids. A ferida? continuou la. Nunca deixei ela livre pra curar.

E então ela piorou, começou a afetar outras partes do corpo e aí fui obrigada a ver. Nunca achei que meus comportamentos refletiam uma não aceitação da doença. Logo eu, que tanto “preguei” sobre isso. Agora, me desnudando por outra vez, conto pra vocês o processo, na intenção de agregar a quem passou/passa/nem imagina que está passando por algo assim.

Passei alguns anos com comportamentos bem destrutivos ligados ao diabetes. Sempre mantive um controle adequado, mas conforme a vida foi acontecendo, problemas surgindo pra serem enfrentados, eu literalmente “descambei”. Se tinha hiperglicemia, comia mais. Comia justamente o que sabia que faria mal. Por muito tempo, pensei ser um descontrole alimentar, mas não. Era uma guerra travada ali. Eu versus Diabetes versus Eu.

Quem pode sair vencedor de uma guerra com algo tão intrínseco a si mesmo? Ambos saímos perdedores por um bom tempo.  Meu pensamento era:  Faço tudo que tem que ser feito e ainda passo mal? Não é justo. Então agora vai ser da minha maneira. E da-lhe auto destruição de novo. e de novo. e de novo. Até surgir um novo vicio. Comecei a controlar doses de insulina, como quem decidi na roleta russa seu futuro. Dica: Não façam isso em casa. Assunto sério e real.

Por anos eu contava nos dedos quantas unidades tomava, evitava tomar, mesmo quando tivesse real necessidade, até que me vi algumas vezes em um hospital com crises de hiperglicemias que nunca haviam acontecido antes, nesses anos todos. Minha alegria era ver que o tubo da insulina tinha durado mais essa semana do que na semana passada e assim, me sentia no controle. Doce ilusão. Fui perdendo o controle de algo mais importante ainda do que minhas glicemias. Eu mesma. Me apagando e esquecendo, em prol de algo que nem sabia mais o que era.

Depois de muito tempo presa nesse comportamento, por outras questões, decidi buscar ajuda. Um mundo se abriu a partir dali. Foi aí que percebi que nunca aceitei realmente o que me foi dado. Em uma primeira consulta já falei : “Ahh, mas sabe o que me deixa triste? saber que eu nunca vou poder chutar o balde e me afogar num pote de sorvete,  Você não ia se irritar com isso também?” e aí, me ouvindo, chorei. Ninguém precisou falar. Eu falando toda a minha revolta em voz alta pela primeira vez, foi como se a porta de todas essas dores estivesse aberta. Eu vi. A venda estava caindo.

E agora? O que fazer com isso? A questão é que todo esse processo refletiu uma insegurança e assim, trabalhando questões como a auto estima, a compaixão comigo mesma, esses comportamentos foram diminuindo de frequência/intensidade. E sigo assim, sem pressa nesse processo que chama VIDA. Guardar toda a fúria dentro de mim, quando era NORMAL expressa-la – no momento pós diagnostico – fez ela crescer. “O problema da dor, é que ela precisa ser sentida”.

Não adianta. Respeite seu processo, sua caminhada, seja ela qual for.  A aceitação é uma luta diária, não entregue a batalha, mas não minimize suas dores. Sinta. Viva suas dores e alegrias, na intensidade que elas demandam. Você é suficiente e maior que tudo isso!

Texto de Caroline Cardoso

Siga a Carol no Instagram: @docecarola_

 

Diabetes e Saúde mental, qual a relação e como cuidar?

Diabetes e depressão

A relação entre o diabetes e a saúde mental é algo pouco falado e reconhecido, porém, bastante presente na vida de muitas pessoas que convivem com essa condição

Diabetes, Depressão e Ansiedade

Muitos estudos divulgados por instituições renomadas de saúde e pesquisa, como a ADA (Associação Americana de Diabetes) e a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) demonstram que a depressão e distúrbios de ansiedade ocorrem duas vezes mais em portadores de diabetes (tanto DM1 quanto DM2) do que na população em geral, com prevalência maior em mulheres.

Alguns dos motivos para tal prevalência são: os efeitos fisiológicos de oscilação do açúcar no sangue que podem contribuir para a instalação de condições depressivas, fatores genéticos e os efeitos psicológicos de ter que cuidar de uma condição 24 horas por dia e sete dias por semana.

Círculo vicioso

A depressão e os transtornos de ansiedade tem impacto nocivo sobre o controle glicêmico e, por sua vez, o diabetes mal controlado intensifica os sintomas depressivos e de ansiedade. Ou seja, a pessoa entra num círculo vicioso, difícil de sair sem tratamento médico e psicológico.

Transtornos alimentares

Outra questão bastante importante é que uma vez a depressão instalada, ela abre a porta para outras condições como os transtornos alimentares, que acometem em média duas a três vezes mais pessoas com diabetes do que a população em geral, em especial jovens mulheres com Diabetes Tipo 1.

Eating Recovery Center, centro referência no tratamento de transtornos alimentares dos EUA, explica a relação “Um foco necessário na alimentação e restrição dietética para o tratamento do diabetes tipo 1, como a contagem de carboidratos, o planejamento de refeições e a restrição alimentar, que embora sejam parte importante do gerenciamento do diabetes, por outro lado, podem criar um foco demasiado na comida, números e controle”.

Diabulimia                

Um dos transtornos alimentares mais comuns entre pacientes DM1 é a Diabulimia – mas não exclusivamente, pois pessoas com diabetes também estão sujeitas a outros transtornos como bulimia, anorexia e compulsão alimentar.

A Diabulimia, em especial, se caracteriza pela omissão da dose de Insulina com o objetivo de perder peso. Deve ser considerada também, como diminuição ou retardo da dose de Insulina com o objetivo de perder peso. Esta prática pode ser somada a comportamentos compensatórios purgativos como vômitos, uso de laxantes, diuréticos ou exercício físico de forma excessiva.

Os principais sinais de alerta são:

  • Não aderência ao tratamento prescrito para o diabetes
  • Controle metabólico instável evidenciado pelos níveis elevados e Hemoglobina Glicada (A1c)
  • Hiperglicemia (constante)
  • Evitar que os pais observem a autoaplicação de insulina
  • Ganho ou perda significativa de peso
  • Dietas frequentes e preocupação excessiva com o planejamento das refeições e composição dos alimentos
  • Visão negativa da imagem corporal / baixa autoestima
  • Sintomas depressivos, incluindo o humor triste, baixa de energia, falta de concentração, fadiga e sono interrompido. Embora a depressão e comportamento alimentar perturbado muitas vezes coexistem, diabetes mal controlado também pode contribuir diretamente para sintomas depressivos.

*Fonte: Site SBD, Sociedade Brasileira de Diabetes

Caso você suspeite que isso esteja acontecendo com você ou sua filha(o), busque apoio profissional de um psicólogo e/ou psiquiatra, seu médico e também de uma comunidade, pois ter ao seu lado outras pessoas com quem possa falar e trocar experiências sobre o que está passando é fundamental.

Prevenção

Além de tratar o problema, é importante primeiramente preveni-lo. Assim, sabendo da maior propensão que as pessoas com diabetes têm de desenvolver quadros de saúde mental, que por sinal, ninguém está livre. É importante que seu estilo de vida seja um fator preventivo no desenvolvimento dessas questões. Algumas dicas na prevenção:

– Mantenha um bom controle glicêmico, porém saiba que oscilações acontecerão – afinal você tem diabetes – e o mais importante é que essas oscilações sejam corrigidas com rapidez, e que haja um aprendizado a partir daquele evento. Evite cair no erro de buscar a perfeição no diabetes e na vida, pois esse é um dos comportamento que leva as pessoas a muitos problemas de saúde mental;

– Pratique atividade física de forma saudável e equilibrada, pois ela é uma grande aliada da sua saúde não só física, mas também mental. E lembre-se que os excessos nunca são proveitosos e mesmo em relação à algo positivo como a atividade física pode te levar a um desequilíbrio

– Pratique a autoaceitação e o amor próprio. Sim, pratique! Pois esses comportamentos não são necessariamente algo natural para nós, pois geralmente não somos ensinados a nos amar; pelo contrário, aprendemos a nos criticar e nos julgar, mas podemos modificar isso se desenvolvermos uma nova atitude consigo mesmos. Nessa prática, um ótimo exercício que aprendi com a escritora americana Louise Hay, é o seguinte: Olhe no espelho, olhe em seus olhos e diga para si mesmo que se ama. A princípio pode parecer algo tolo e até falso, mas com a prática seu inconsciente começará a aceitar esse comando e sua autoestima e amor próprio vão se fortalecer.

Como diz o  psiquiatra e psicoterapeuta Jung “Quando me aceito como sou, então posso mudar”

Ou seja, viva sua vida com diabetes, com equilíbrio, autocuidado e quando sentir que é momento de pedir ajuda busque o apoio que merece e precisa!

O mundo da saúde está mudando… para melhor!

Hoje quero sair um pouco do tema do dia a dia de quem convive com diabetes para falar sobre a tecnologia a serviço da vida, e eu não me refiro ao sensor de glicose ou bomba de insulina, estou falando de tecnologia em maior escala, que veio para ficar, e dominar (positivamente) todos os setores de nossas vidas, ou seja, a realidade virtual.

No último dia 24 de abril, eu tive uma experiência incrível ao ser convidada para participar de um encontro promovido pelo Johnson & Johnson Institute para conhecer sua nova ferramenta de realidade virtual adquirida em prol do aperfeiçoamento dos treinamentos promovidos pelo Instituto à médicos e profissionais da área de saúde.

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Entrada do prédio do J&J Institute em São Paulo

O J&J Institute tem como principal missão oferecer educação médica continuada para profissionais de Saúde, das redes pública e privada, investindo no aprimoramento dos especialistas no que diz respeito à aplicação das mais modernas técnicas cirúrgicas.

Ao adentrar o Instituto fomos recebidos em um ambiente tecnológico e por pessoas que lá trabalham, que amigavelmente começaram a contar um pouco daquele ambiente e de seu propósito na vida das pessoas.

A sensação de estar num espaço como esse foi a de ser “cuidada”, pois, ao perceber o que acontece nos bastidores de uma empresa como a J&J para que aos médicos sejam bem capacitados, e as pessoas tenham suas vidas, ou seja, seu maior bem, preservado e cuidado, para mim, foi algo muito emocionante.

Iniciamos o dia com uma apresentação feita pela diretora do J&J Institute, Elizabete Murata, que falou sobre os valores da empresa e seus objetivos de maior capacitação médica para a promoção de saúde e bem estar das pessoas.

Logo após, a vice-presidente global do J&J Institute, Sandra Humbles, falou sobre a necessidade de capacitação continuada dos médicos e demonstrou através de informações e estatísticas mundiais que “cirurgiões não qualificados têm 3x mais complicações e 5x a taxa de mortalidade em comparação a cirurgiões qualificados” reforçando a necessidade de educação continuada, como é feito por eles.

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Painel com Elizabete Murata, Jackson Follman, Alexandre Sadao, Sandra Humbles e Christiane Pelajo

Nessa hora eu pensei que nunca fui submetida a um procedimento cirúrgico invasivo – e que assim continue – mas se em algum momento eu ou alguém da minha família precisasse passar por uma cirurgia eu certamente gostaria que esse médico e profissional da saúde tivessem recebido o treinamento que eu vi por lá.

Como exemplo disso, ou seja, da segurança que trás estar bem amparado em momentos de vulnerabilidade, estava lá Jackson Follman, ex-goleiro da Chapecoense, vítima do trágico acidente da equipe de futebol, que de forma emocionante compartilhou a experiência de ter tido acesso a modernos recursos científicos que cooperaram para sua sobrevivência e o sucesso de sua recuperação junto do Dr. Alexandre Sadao, cirurgião de coluna, integrante da equipe médica que operou o atleta e que faz parte do corpo de profissionais que estão continuamente se reciclando através do Instituto.

Após as apresentações, fomos conhecer as modernas instalações do instituto e o destaque do dia foi a nova ferramenta de Realidade Virtual que une o humano e o tecnológico de forma única.

Em uma sala de simulação, pudemos utilizar a novíssima tecnologia e simular uma cirurgia real, passando pelo passo a passo que um médico e profissional de saúde passa na hora de operar um paciente, e estando num ambiente de treinamento, vivenciamos um pouco do que a tecnologia pode oferecer, trazendo mais prática ao profissional, permitindo que ele “erre” num ambiente virtual, e que esteja o mais capacitado possível para o momento real, ou seja, a cirurgia em si.

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A apresentadora do evento, jornalista Christiane Pelajo, utilizando a ferramenta de realidade virtual

Agradeço a experiência e me sinto grata pelos avanços tecnológicos que temos presenciado em nossa sociedade, desejo que essa tecnologia esteja acessível cada vez mais para todos e que, a partir disso, tenhamos uma vida melhor, mais segura e, claro, mais feliz!

 

Natural Tech em São Paulo – Novidades e dicas de alimentação saudável

Divas, nós sabemos que alimentação saudável é um pilar importantíssimo para a saúde e também a beleza de quem tem diabetes, não é mesmo?

Eu busco sempre a melhoria na minha alimentação e estilo de vida, e fico fascinada com a quantidade e qualidade de conhecimento disponível hoje em dia. Ao mesmo tempo, confesso que muitas vezes não consigo acompanhar tanta inovação, nem filtrar o que é realmente bom para mim, algo bastante frustrante porque não conseguindo aproveitar tudo isso da melhor forma.

Com você também é assim? Se sua resposta é: SIM! Quero contar para vocês sobre a Natural Tech, uma feira gratuita que acontecerá em São Paulo, entre os dias 06 à 09 de junho, das 11h às 20h, no Pavilhão Anhembi, e irá reunir as marcas mais inovadoras no mercado de alimentos, bebidas, suplementos, cosméticos naturais e saudáveis, na qual o público tem oportunidade de degustar e comprar em pequenas quantidades na maioria dos estandes dos produtores e fabricantes.

O público pode participar gratuitamente do Encontro de Práticas Integrativas, onde profissionais fazem atendimento em várias modalidades, como Do In, Reflexologia, Reiki, massagens, acupuntura a laser, Aromaterapia, entre muitas outras.

Além disso, a feira oferece também uma super programação com painéis, fóruns, seminários, palestras e workshops, sendo a novidade da edição deste ano as Palestras Especiais que abrem ou encerram a programação de todos os dias, sempre com convidados especiais e temas muito atuais.

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*Foto feira Natural Tech 2017

Eu estarei presente no dia 06/06 a partir das 14h no stand da Lowçucar (que fica bem próximo à entrada principal da feira) e ficarei MUITO feliz em te encontrar por lá!

Será uma oportunidade de trocas, aprendizados, e de cuidarmos ainda mais de nossa saúde! Algo sempre importante e necessário para quem convive com o diabetes. Então, o que você me diz? Vamos?

Entra no link para fazer sua inscrição gratuita: http://naturaltech.com.br/credenciamento.asp

Grande beijo de diva para diva 🙂 Fabi Couto

 

Você já ouviu falar em Diabulimia?

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Texto por Deise Santiago Nutricionista 

“Você já ouviu falar em Diabulimia?

Se você não ouviu, certamente já ouviu falar de Bulimia, não é?

A bulimia é quando a pessoa se alimenta e vomita para não engordar. Na Diabulimia a pessoa come e não aplica a insulina para não engordar. Por isso os nomes parecidos.

Semana passada tivemos a Fabiana Couto, fundadora do movimento Divabética, no Programa Bem Estar falando da importância de se falar sobre isso. E eu estou aqui para explicar o que esse transtorno pode causar e como podemos combatê-lo.

O nosso corpo produz energia colocando a glicose (=açúcar) para dentro das células. Quem faz isso é a insulina que é o nosso porteiro de glicose. A energia produzida, se não é gasta, vira gordura. O corpo estoca a gordura como forma de armazenamento de energia.

Quando falta insulina, a glicose não entra dentro da célula, a energia não é produzida e nem armazenada. Mas sem energia da glicose, o corpo capta energia dos músculos e da gordura já existente. Ou seja, emagrecemos.

“Deise, isso parece incrível! Emagrecer fácil assim deve ser maravilhoso!”

Seria, se não fosse um fator IMPORTANTE, a glicose está circulando no nosso organismo sem ter pra onde ir, cada vez mais e mais… Existem pequenos vasos no nosso corpo que começam a “entupir”, a glicose passa por ali e fica. Ou seja, o sangue pára de circular naquela área… Estou falando de olhos, rins, extremidades do corpo. Isso mesmo que você entendeu. A pessoa que faz isso pra emagrecer, consequentemente está correndo mais riscos de ficar cega, com problemas renais e precisar amputar algum membro. Essas são complicações que você poderá gerar para seu corpo no médio prazo mas no curto prazo o que acontece é que sem energia nas células você pode se sentir mais cansada, e sem disposição para a vida além de sentir-se infeliz pois o descontrole glicêmico pode te levar a desenvolver outras doenças como depressão e transtorno de ansiedade.

Lembra lá em cima quando eu falei que a insulina ajuda a gerar energia? Lembra que eu falei que a glicose é a que gera energia? Essa é a “fórmula mágica” do emagrecimento, comer bem, de forma equilibrada para não consumir glicose em excesso e fazer exercícios pra queimar a energia produzida e não haver estoque!

Alimentação e atividade física é sua melhor escolha. Se está difícil mudar hábitos procure ajuda de um nutricionista e outros profissionais de saúde.

Mas se você já sabe que a Diabulimia te faz mal mas não consegue parar, procure ajuda psicológica, pois isso te fará bem, de verdade.”